Garotinho loiro da foto, obrigada pela primeira e incrível sensação de paixão, sentida numa simples corrida, enquanto eu descia uma ladeira de braços abertos e recordando dos detalhes do seu rosto.
Marquinhos, obrigada pela chuva de estrelas que não caiu, mas fez nossos olhos fecharem com alguma sintonia. Obrigada pelos laços verdes deixados no caminho da minha casa e pela história de um primeiro beijo que até hoje eu tento contar...
Marcelo, obrigada por ter feito que eu chorasse tão intensamente quanto chorei nas noites que passei em claro, te inventando na ponta de um lápis. Obrigada por ter ido embora depois da minha fogueira de papel, minha fogueira de você.
Cláudio, obrigada por ter virado meu caráter do avesso, obrigada por ter me derrubado sem querer e me erguido através dos seus olhos e não do seu cérebro.
Gil, obrigada pelo arrepio dos meus pêlos adolescentes, pelo toque gentil quando eu precisava de gentileza e respeito. Obrigada pelas fantasias despertadas e por sempre ter me deixado tão insegura e excitada. Obrigada pelo suor entre os seios, o desejo que nunca se partiu. Obrigada por ter voltado, me desejado, me abandonado todas as vezes, mas nunca ter abalado minha auto-estima. Uso seus lábios como recordação, mesmo que eles nunca tenham ultrapassado os limites da minha clavícula. Pelos beijos de língua que me fizeram gozar sem nunca ter te dado, por ter me deixado ir mesmo que nunca tenha entendido os meus porquês e por ter sentido tanto, obrigada. Obrigada pelos escorpiões e pela descoberta de um céu onde até hoje, quando entediada, eu me perco e me arrasto.
André, obrigada por ter transado com a minha tia e nunca ter me deixado saber...
Glauco, obrigada pelas tardes de beijos, brigas, por me despir peça por peça das roupas a alma. Por ter me ligado antes de ir embora, por ter guardado minha fotografia na sua caixa de importância e feito sua mãe me ligar para contar sobre a sua morte... obrigada. Queria ter visto você naquele dia que liguei, queria que o seu casamento não tivesse me impedido de saber que você estava partindo. Queria ter dito o quanto você foi importante... Obrigada por ter me ensinado a ser tão franca diante dos meus amores, mesmo que você só tenha conhecido minha versão cheia de orgulho e silêncio.
Cadu, obrigada pela paciência, pela minha identidade falsa, por todas as manhãs chuvosas que fugimos da faculdade, por ter se tornado um grande amor e não somente o garoto que me transformou em uma mulher. Por todas as suas provas de amor, por ter sido tão bom namorado... muito, muito, muitíssimo obrigada.
Alex, obrigada por ter me apresentado a melhor turma de amigos e o bar que se tornou cenário das nossas grandes histórias. Obrigada pelas músicas da nossa rebeldia, por ter me ajudado a viajar sozinha atrás de um sentido e um fim. Por Bob Marley e tantas noites entre a zona sul e norte, obrigada.
Fabiano, obrigada por ter os olhos mais embriagados de vida que eu já havia visto. Os olhos que me fizeram surtar atrás de todos aqueles dias de rede que passamos na Bahia... Obra do acaso, sempre. Obrigada por tanto improviso.
Edu, embora eu já tivesse dito que sim, obrigada por entender que eu não o amava para casarmos, mas amava o suficiente para deixá-lo. Obrigada por não ter me rogado todas as maldições que me cabiam e ter sorrido antes de fechar a porta.
Ru, obrigada por nada... Não, não é verdade. Vinte dias depois da primeira vez que escrevi esse texto, obrigada pelas últimas semanas. Obrigada pela tarde de choro e meias desculpas que trocamos nas escadas do prédio. Obrigada por uma vida juntos, apesar do pouco e do muito que nos fez perder nosso tudo ou nada.
Igor, obrigada por ter feito eu me apaixonar por você em uma época que eu carecia tanto de fé. Obrigada por ter demorado para chegar. Mesmo tarde, obrigada por me mostrar que não havia sido uma ilusão, mas que - apesar do calor do corpo - as noites de frio eram passado.
Wil, obrigada por cuidar de mim quando tudo parecia inferno. Obrigada por ter escolhido meus olhos e me puxado pelas mãos sempre que elas tremiam. Por me deixar ir embora quando fiquei confusa, obrigada...
Ramón, obrigada por ter me comido com os olhos, por me devolver doses estranhas de ciúme verdadeiro misturado com minha raiva e o que me restava de liberdade. Muito, muito obrigada pelas asas.
Ro, obrigada pelos encontros e desencontros. Pela indecência destilada no ouvido e os arranhões riscados na ponta dos dedos e da língua, obrigada. Pelas trocas, canções, histórias curtas, cartas longas, pelo meu livro. Pelo tesão da disputa, pela falta de prazer da conquista, obrigada. Por ter voltado e ido embora tantas vezes como se nunca tivesse saído, e por aquela paixão esquisita que nunca me fez desejá-lo mais do que desejei uma história, obrigada.
Wil, obrigada pelos braços abertos todas as vezes que eu precisei deles para me curar ou me proteger. Obrigada pela inabalável segurança, por essa estranha capacidade de bastar quando está por perto. Por nunca ter deixado de cuidar de mim, mesmo eu sendo tão arredia para qualquer tipo de cuidado, mesmo sabendo desse meu tanto de gratidão e ingratidão, obrigada. Obrigada por entender sem os velhos dramas morais e domésticos que eu não passo de um resultado inacabado de grandes e poucos amores. Por não ignorar que não passo de um bom passado, de experiências que fizeram eu me tornar quem sou e que é do que eu sou que você tanto gosta, obrigada. Obrigada, por me dar sem medo esse seu jeito de amar que tanto se aproxima do que eu acredito que seja amar. E, por sempre grokar minha história mal contada de forma tão próxima do que ela realmente foi, obrigada.
